Dias Lopes: bom de garfo na história da gastronomia

3 Abr

Meu interesse por jornalismo gastronômico vem de longe. No terceiro ano de faculdade, entrevistei um dos jornalistas que eu mais admiro na área: J. A. Dias Lopes – diretor de redação da revista Gosto e colunista do Paladar. Ele foi super acessível, a entrevista ficou bem interessante e foi publicada no ano seguinte em uma revista-laboratório do curso de jornalismo da UFSC. Falamos da carreira dele, de gastronomia, da chegada do jornalismo gastronômico ao Brasil e do papel do crítico. Fiquei com saudades da conversa e decidi reproduzi-la aqui no blog:

Ele não cozinha, mas adora meter a colher no prato dos outros. Alguns o chamam de crítico; ele se diz colunista gastronômico. O gaúcho José Antônio Dias Lopes trabalhou por 23 anos na Veja e foi convidado a participar do projeto da revista Gula. Dirigiu a publicação até o início do ano, quando partiu para uma nova empreitada. Em julho, lançou pela Editora Isabella e sob seu comando a revista Gosto. Escreve também a seção “O melhor de tudo” do Paladar, caderno semanal do Estado de São Paulo, e publicou livros relacionados à culinária. O mais recente deles – A rainha que virou pizza (IBEP Nacional, 2007) – reúne artigos publicados no Estadão e na Gula, organizados cronologicamente. Os textos de Dias Lopes relacionam sempre comida e história, viajando dos hábitos alimentares de D. João VI às origens do strogonoff; do fato de Marcello Mastroianni ser um gourmet ao livro de culinária publicado por Sophia Loren. Na entrevista a seguir, o jornalista fala de sua trajetória profissional, da formação do crítico e das particularidades do jornalismo gastronômico.

Como você ingressou no jornalismo de gastronomia?
Dias Lopes – Em 1968, fui contratado para fazer parte da equipe que fundou a Veja. Comecei como repórter pesquisador, na seção de livros. Depois, ficava na editoria de Geral e fui subindo, até ser editor assistente em 1987. Acabei especialista em religião e medicina e fiz uma capa sobre vinhos e reportagens sobre gastronomia. Recebi, em 1987, um convite para ser correspondente em Roma. O leste europeu começou a desmoronar, acabei sendo repórter internacional da revista, cobrindo os países do leste, o Muro de Berlim. Nas viagens, eu sempre me interessei por gastronomia, por comer e beber bem. Descobri algumas revistas diferentes das que tínhamos aqui, como a italiana Pane e vino, que tinha esse suporte cultural que eu trouxe depois para a Gula.

Naquela época que revistas existiam aqui de gastronomia?
DL – Tinha a Gourmet, que, apesar de boa, não andava bem. Não havia ainda um mercado para esse tipo de publicação. Voltei da Itália em 1990, cansado das madrugadas da Veja. Tinha me acostumado a outro tipo de vida
e fiquei incomodado de ter que chegar à revista ao meio-dia e sair às 6h da manhã. Encontrei o vice-presidente da Abril, o Thomas Souto Corrêa, que me falou sobre a Gula, um braço da Abril. A publicação havia empacado na terceira edição…
Leia o restante da entrevista em pdf.

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2 Respostas to “Dias Lopes: bom de garfo na história da gastronomia”

  1. Luciana Ribeiro 4 de Abril de 2011 às 18:02 #

    Delícia de ler, Luísa, adorei 🙂

  2. Carol 9 de Abril de 2011 às 20:51 #

    Lu, demorei porque queria ler com calma… adorei!! Parabéns!

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